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Dulce Rosalina: A Eterna Rainha das Arquibancadas do Vasco

| Redação
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Quem tem o privilégio de caminhar por São Januário antes de um jogo sente a energia pulsante que emana das arquibancadas. E, em meio a essa atmosfera, uma faixa solene se destaca, um tributo a uma das maiores apaixonadas pelo nosso Vasco: Dulce Rosalina Ponce de León. Sua presença é um lembrete do que significa ser vascaíno, uma verdadeira inspiração que transformou a forma de torcer no Brasil.

Nascida em 1934, nas redondezas da Ponte dos Marinheiros, Dulce não foi apenas uma torcedora; ela foi uma pioneira. Há exatos 70 anos, ela se tornou a primeira mulher a presidir uma torcida organizada no Brasil, a icônica Torcida Organizada do Vasco, a TOV. A faixa que reverencia sua memória é estendida bem onde ela costumava vibrar, no coração de São Januário, onde a paixão cruzmaltina ecoa a cada grito de gol.

O primeiro ato de Dulce à frente da TOV foi uma demonstração de amor ao clube: arrecadou 200 mil cruzeiros para a construção das quadras de basquete de São Januário. As reuniões da torcida aconteciam em sua casa, sempre de portas abertas para qualquer vascaíno que quisesse compartilhar a paixão pelo clube. “Basta ser vascaíno para ser meu amigo”, dizia ela, com um sorriso que refletia a alma generosa de uma verdadeira vascaína.

Dulce revolucionou a forma de torcer. Foi ela quem trouxe o papel picado e as serpentinas para as arquibancadas, além de popularizar as baterias nas torcidas. Durante 20 anos, de 1956 a 1976, ela foi a alma da TOV, sempre pronta para incentivar os jogadores. “Pode chover até granizo; se o Vasco jogar, lá estarei”, afirmava, mostrando que seu amor pelo clube era inabalável.

Seu legado é preservado no Centro de Memória do Vasco, onde registros de sua trajetória são guardados com carinho. Walmer Peres, coordenador do centro, afirma que “preservar a memória de Dulce é preservar uma parte importante da história do Vasco”. E é verdade! A história do nosso clube não se resume a troféus, mas também é feita de pessoas como Dulce, que dedicaram suas vidas ao amor pelo Vasco.

Além de ser uma figura respeitada nas arquibancadas, Dulce também era presença constante em eventos do clube e até nos treinos. Ela foi responsável pelo apelido carinhoso de “Pequeno Príncipe” dado ao ídolo Geovani, em um momento que eternizou a conexão entre a torcida e os jogadores. Dulce era a “Primeira-dama das arquibancadas”, e sua influência ultrapassou as fronteiras do Vasco, sendo eleita a maior torcedora do futebol brasileiro em um concurso da Revista do Esporte.

Uma história marcante envolve a recusa dos jogadores em entrar em campo contra o Flamengo, quando souberam que Dulce havia sido detida por portar papel picado. Eles só aceitaram jogar após a liberação dela, que, ao ser solta, viu o Vasco vencer o rival por 4 a 2. Isso mostra como a torcida é parte fundamental do espetáculo, e Dulce era a personificação desse amor.

O legado de Dulce não para por aí. Em 2027, ela será homenageada no Carnaval pela G.R.E.S. União Cruzmaltina, com um enredo que celebra sua coragem e luta por mais espaço para as mulheres no esporte. Dulce Rosalina, que faleceu em 2004, continua viva em nossos corações e na história do Vasco. Uma rua em sua homenagem, a Rua Dulce Rosalina, foi nomeada perto de São Januário, perpetuando seu amor pelo clube.

Como bem disse Walmer, “a história de um clube está nas pessoas que construíram sua experiência cotidiana”. Dulce é um símbolo dessa construção, e preservar sua memória é também preservar a essência da torcida vascaína. Que sua história continue a inspirar gerações de vascaínos, mostrando que o amor pelo Vasco é eterno.

Fonte: https://ge.globo.com/futebol/times/vasco/noticia/2026/10/05/dulce-rosalina-a-torcedora-do-vasco-que-inspirou-mulheres-e-revolucionou-a-forma-de-torcer-no-brasil.ghtml